Turistas europeus diminuem no Nordeste

Empresários do setor de turismo tem sido obrigados a se adaptar a uma nova realidade: a contínua valorização do real ante o dólar e a crise financeira de alguns anos atrás reduziram em muito o número de turistas europeus que visitam o Nordeste.

O empresário Marcos Tiburtius, por exemplo, proprietário do Village Hotel, um dos mais movimentados de Porto de Galinhas, preencheu com argentinos a lacuna deixada por cerca de 3 mil turistas finlandeses que durante sete anos passaram o verão na praia mais famosa de Pernambuco.

“Nosso produto acabou ficando caro para eles, por conta do real valorizado e também da crise financeira que vivem lá”, afirmou, acrescentando que os portugueses são os turistas que mais deixaram de viajar a Pernambuco.

Como ocorre em quase todos os Estados do Nordeste, o governo de Pernambuco não dispõe de dados atualizados sobre o fluxo de turistas estrangeiros para o Estado. De acordo com estimativas da Secretaria de Turismo, o fluxo de europeus caiu 23% entre 2007 e 2009, com destaque para italianos e alemães, com baixas superiores a 30%. Apesar de contarem com voos diretos para algumas capitais do Nordeste, pela TAP, os portugueses estão entre os que mais reduziram as viagens.

Um número considerável de lusitanos costumava frequenar anualmente a bela Praia dos Carneiros, localizada em Tamandaré, litoral sul de Pernambuco. “De três anos para cá eles pararam de vir. Creio que estão buscando destinos mais baratos”, avalia Davi Oliveira de Lima, dono da Pousada dos Carneiros. “Mas o mercado interno compensou isso com folga e continuamos crescendo”, disse ele.

Outro Estado que sentiu a ausência dos turistas portugueses (que estavam chegando em número cada vez maior) foi Alagoas. De acordo com a secretária estadual de Turismo, Danielle Novis, a pasta teve que deslocar suas ações para a América do Sul. A proporção dos europeus no total de estrangeiros que visitam as praias alagoanas caiu de 34% para 25% entre 2009 e 2010.

A Bahia, maior mercado turístico do Nordeste, também está compensando no mercado interno a queda no fluxo de europeus. Entre 2005 e 2009,  enquanto Salvador e a Bahia experimentaram um aumento de 81,3% no número total de turistas, o número de estrangeiros caiu 29%. Com isso, o peso do turista internacional no total de visitantes caiu de 14,4% para 5,7% no mesmo intervalo de comparação.

A Secretaria de Turismo da Bahia, entretanto, não dispõe de informações separadas por país de origem anteriores a 2009, o que impede uma análise comparativa do fluxo específico de europeus. Pelos dados de dois anos atrás, os principais países do Velho Continente representavam 57% do total de estrangeiros que desembarcavam no Estado.

E também ali os hoteis tiveram que se adaptar. Diante da presença menor dos europeus, o hotel De Ville de Salvador está mais focado no mercado corporativo nacional. Segundo sua gerente comercial Sueli Fernandes, a demanda por eventos e feiras tem garantido o crescimento da receita, mesmo com os euros a um oceano de distância.

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Caos no trânsito de Recife, Salvador e Fortaleza

O jornal Valor Econômico publicou reportagem sobre o crescimento da frota e consequente caos no trânsito de três cidades do Nordeste, sedes da Copa de 2014: Recife, Salvador e Fortaleza. O jornal não se referiu à outra cidade nordestina que sediará jogos da Copa, Natal, mas é bem sabido que a capital potiguar também apresenta sérios problemas de trânsito.

De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota brasileira cresceu 54% entre 2006 e 2010, atingindo no fim do ano passado a marca de 64,8 milhões de veículos, entre carros de passeio, motos, ônibus, caminhões e congêneres. No Nordeste, o salto foi de 80% no mesmo intervalo de comparação, sendo 79% na Bahia, 78% no Ceará e 69%, em Pernambuco.

Nas três cidades, os planos para aliviar os congestionamentos incluem a instalação de corredores exclusivos de ônibus nas principais avenidas, combinada com a abertura de mais vias; a maioria dos projetos, no entanto, ainda não saiu do papel.

No Recife, o urbanista Milton Botler, chefe dos planos de mobilidade da Prefeitura, é um defensor declarado da restrição ao uso do automóvel particular (o famoso rodízio, que já se aplica em São Paulo). Segundo ele, o projeto pensado para a capital pernambucana dará prioridade à construção dos corredores, de preferência os chamados BRTs (Bus Rapid Transit), sistema de circulação rápida de ônibus por faixas exclusivas; novas ruas para carros, somente se forem indispensáveis.

Um problema adicional em Recife é o excesso de pontes, que são mais estreitas que as ruas e ensejam congestionamentos. Segunda menor capital do país em área, Recife tem hoje uma frota superior a 500 mil veículos; incluindo a região metropolitana, o número salta para 1 milhão.

Em Fortaleza, também será dada preferência ao transporte coletivo nas principais avenidas. De acordo com a Autarquia Municipal de Trânsito, a ideia é interligar os sete terminais de integração da capital cearense aos corredores de ônibus, que também serão mais acessíveis aos pedestres.

A Prefeitura de Salvador pretende enfrentar o problema do trânsito com a instalação de 42 quilômetros de BRTs, além da expansão do metrô da cidade e da modernização do chamado “trem de subúrbio”.

Com uma frota de 660 mil veículos, Salvador também sofre com suas peculiaridades geográficas: o relevo montanhoso da cidade dificulta a construção de grandes vias, o que acaba gerando um crescimento desordenado.

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Fantástico exibe reportagem exploração sexual nordeste

o Fantástico, da rede Globo, exibiu em 13 de março de 2011 uma reportagem sobre a exploração sexual no Nordeste; um repórter do programa passou-se por turista e frequentou locais do Recife e de Natal onde ocorre abertamente turismo sexual.

Como de hábito, a reportagem teve repercussões nos locais visitados.

No Recife, a boate e hotel Bamboo foi fechada pelas autoridades, sob o argumento de que o local não tinha licença para funcionar como local de hospedagem (apenas de serviços de bar).

O Bamboo localiza-se nas proximidades da Pracinha de Boa Viagem, popular ponto turístico do Recife, onde, desde a tardezinha até aproximadamente meia-noite, instala-se uma feirinha com bancas de artesanato e de comidas regionais.

Em Natal, o bar Estravasa foi multado, por permitir a presença de crianças, que foram filmadas pela reportagem do Fantástico.

O bar localiza-se na região chamada Alto de Ponta Negra, que desde há alguns anos concentra boa parte da vida noturna de Natal – foi lá que o SBT encontrou uma celebridade trabalhando como garota de programa em 2009. A região localiza-se a aproximadamente 200 metros da beira-mar da Praia de Ponta Negra, que concentra boa parte dos hoteis de Natal.

Como se vê, a prostituição para turistas ainda existe nas grandes cidades do Nordeste; a reportagem não teve que ir a recantos escondidos, e sim aos mais conhecidos pontos turísticos de Recife e Natal – e a situação não seria muito diferente em Fortaleza ou Salvador.

Mas a situação vem melhorando ao longo dos anos. A cada reportagem de um veículo influente, as autoridades vêem-se na obrigação de cumprir a lei, os cidadãos incentivam-se a organizar grupos para tomar uma ação, e as cidades melhoram um pouquinho.

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Aeroportos mais movimentados Nordeste

O Nordeste tem várias capitais que atraem turistas de todo o Brasil, e às vezes fica até difícil escolher em qual delas passar as férias.

Uma maneira de colher subsídios para a escolha é examinar estatísticas que mostrem o número de visitantes que cada cidade recebeu; a lógica aqui é que, se uma cidade recebe muito mais visitantes que outra, aquela provavelmente tem mais atrativos que esta.

Evidentemente, essa lógica não deve ser seguida cegamente, pois outros critérios determinam as escolhas dos viajantes, como necessidade de negócios, visitas a familiares, etc. Entretanto, as estatísticas ainda assim são interessantes (explica, em boa medida, porque Paris tem mais visitantes que Nairobi).

A Infraero divulgou recentemente a movimentação dos aeroportos em 2010; clique aqui para ver o documento.

O aeroporto  mais movimentado do Nordeste foi o de Salvador, com pouco mais de 7.200.000 passageiros embarcando e desembarcando. Isso não significa que esse seja o número exato de turistas à capital baiana, pois a cifra inclui os residentes que chegam e partem, e exclui os que chegam por outros meios, como ônibus e navios. Porto Seguro, por exemplo, é uma das cidades que mais recebem visitantes no Brasil, a maioria dos quais chegando de ônibus a partir do Rio de Janeiro e São Paulo.

A segunda capital mais visitada é Recife, com mais de 5.700.000 passageiros; a seguir, seguem: Fortaleza (4.800.000), Natal (2.300.000), Maceió (1.400.000), São Luis (1.378.000), Aracaju (940.000) e João Pessoa (930.000).

É interessante também comparar as estatísticas de 2010 com as de 2009 (ver esse post). Nota-se que todas as cidades apresentaram expressivo crescimento no número de visitantes, graças à melhoria econômica do país – isso explica porque os hoteis tem estado lotados por todo o Brasil.

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Viagem Nordeste em novo endereço

Esse blog está em casa nova.

Desde seu início, o blog esteve hospedado na blogs.abril.com.br/nordeste, hospedagem gratuita fornecida pelo site da editora Abril.

Em fevereiro de 2011, a Abril comunicou que iria descontinuar seu serviço de hospedagem; todos os blogs foram informados, a fim de que tivessem tempo de transferir os posts para um novo local.

Assim é que nos mudamos aqui para a wordpress.

Agradeço à abril, agradeço à wordpress, e seguimos com o blog.

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Buggy, buggeiros e outros perigos do Nordeste

Quando se fala em lazer, o que primeiro vem à mente são imagens de mergulhos em águas mornas, passeios em buggies por sobre dunas brancas, esportes radicais como kite surf, jet ski, e outros, tudo isso na maior paz e tranquilidade; isso é o que os turistas imaginam.

Mas a realidade pode se mostrar um pouco diferente.
Em geral, são os moradores locais que tem que se defrontar com os problemas advindos dessas formas de lazer.
Bugueiros, por exemplo, são conhecidos por não respeitarem as leis de trânsito; esses profissionais ganham dinheiro por passeio contratado, e, no afã de não perder um passeio, cometem muitas infrações (passar em sinal vermelho, parar em local proibido, desrespeitar limites de velocidade).
E note-se que os buggies são mais inseguros que carros normais. A maioria dos buggies não tem cinto de segurança para os passageiros no banco traseiro, nem tem estrutura de proteção; a imensa maioria dos buggies é feita com velhos motores de fusca e kombi, o que significa que sua confiabilidade é reduzida.

Juntando tudo isso, não é surpresa que ocorram, ocasionalmente, acidentes com buggy.
Nesse início de ano, dois acidentes ocorreram em Noronha; na primeira semana do ano, um buggy colidiu com um poste e matou um passageiros, e na semana seguinte o motorista perdeu o controle de um buggy que aparentemente estava com manutenção desatualizada. Semana passada, uma turista morreu em um acidente ocorrido nas famosas dunas de Jenipabu, em Natal.

Em 2010, um buggy trafegava em alta velocidade pela praia de Porto de Galinhas quando matou uma jovem.
E esse incidente revela outros problemas do Nordeste, que afetam diretamente a segurança dos turistas: a completa falta de educação e civilidade dos habitantes, e a respectiva falta de fiscalização por parte das autoridades.

Recentemente, na praia do Rio do Fogo, no litoral norte do Rio Grande do Norte, um piloto de jetsky puxava uma bóia muito próximo à praia e causou a morte de uma turista; essa reportagem mostra que o problema foi causado pela imprudência do piloto.
Em 2009, um caso muito similar ocorreu em Fortaleza, e causou a morte de uma modelo.

Esses são apenas alguns dos casos fatais que chegaram à imprensa.
No dia a dia, moradores tem que conviver com diversas outras formas de desrespeito; esses casos não causam morte, mas causam grande incômodo, com chance de incidentes.
Para mencionar algumas dessas condutas: pessoas que levam cachorros para a praia; passeios de para-gliding (as pessoas montam o equipamento na praia, e o vento frequentemente os carrega pela praia afora); veículos (principalmente motos) que trafegam em áreas proibidas da areia, e em alta velocidade; passeios de cavalo (o que ocorrerá quando um cavalo disparar em uma praia lotada?).
E isso sem falar nos muito mais frequentes casos de bebedeiras, som alto, etc, que costumam levar a brigas e discussões.

Passar as férias no Nordeste também tem seus perigos.

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Reveillon na Praia do Futuro, Fortaleza

Esse ano, passarei o Ano Novo em Fortaleza.

Os festejos de Fortaleza crescem ano a ano, juntamente com a cidade; hoje, apenas umas quatro ou cinco cidades do Brasil podem dizer que ganham de Fortaleza nesse quesito.

A maioria dos turistas e moradores preferem ir às festas da Praia de Iracema; estima-se que mais de 1.200.000 pessoas irão a Iracema; os hoteis já anunciam que estão lotados (reserve hotel no Rio de Janeiro).
O Governo montou um grande palco na areia, onde diversos grupos e cantores se apresentarão; a maior atração é o Caetano Veloso.

Entretanto, eu preferi ir à Praia do Futuro.
Vejo algumas diferenças entre a Praia do Futuro e a de Iracema.
Primeiro, há menos pessoas: estimam-se 200.000 (o que mesmo assim é uma multidão); na Praia do Futuro, as águas são próprias para banho, o que permite os tradicionais pulinhos sobre as ondas (em Iracema, isso não é possível); e há sempre a diferença das barracas, que promovem festejos e queima de fotos independentes.

Vejam trecho de um jornal de Fortaleza:

“A barraca Crocobeach está vendendo seu quarto lote de ingressos, já que os três anteriores se esgotaram. Com atrações como banda Dona Zefa, Mister Babão, Banda São Ninguém e Batucada Elétrica, além dos Djs Caio e Flavinho, a casa terá programação das 22h até as cinco da manhã.

A gerente de marketing da Crocobeach, Amanda Figueiredo da Silva, diz que a barraca preparou também sete minutos de fogos de artifício, para a hora da virada, além de 11 banheiros químicos adicionais. “A expectativa é que cheguemos à lotação da casa, que é de 3.500 pessoas, como aconteceu no ano passado”, afirma.

Já entre as atrações da barraca Cocobeach, estão as bandas Nanaxé, Sabor Latino e Grupo Freesson, cuja programação não tem hora pra terminar. “Só vai acabar depois que o último cliente for embora”, informa o gerente da Cocobeach, Edvalson Carvalho Junior. Segundo ele, a empresa precisou contratar pessoal extra para montar duas equipes, que alternarão os turnos.

Outras barracas como a Marulho e a Atlantidz não irão abrir na noite do Revéillon. “Nós preferimos abrir na manhã seguinte e aproveitar o público que festejou a noite inteira. Eles sempre querem tomar um caldinho de peixe para renovar as energias” explica Fátima Queiroz, proprietária da Marulho.

Como elas outras barracas optam por abrir no dia seguinte a virada do ano, visando atender os milhares de turistas e fortalezenses que vão à praia para tirar a ressaca, ou mesmo para iniciar o ano com um banho de mar para receber boas energias.”

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